Mancha branca no dente pode ser cárie inicial, fluorose, hipomineralização ou marca de aparelho, e cada uma pede uma conduta diferente. Veja como diferenciar e quando o caso é de remineralização, microabrasão, infiltração resinosa, resina ou lente.
As quatro causas mais comuns
Mancha branca no dente quase sempre é uma destas quatro coisas: cárie em estágio inicial, fluorose, hipomineralização de formação ou marca deixada por aparelho ortodôntico. Todas são esbranquiçadas e opacas, todas incomodam, e cada uma tem um tratamento diferente.
O que todas têm em comum é a causa física: uma região do esmalte com menos mineral e mais porosidade. A luz que entra ali não atravessa como no esmalte sadio, ela se espalha, e o resultado é aquele aspecto de giz.
Tratar sem diferenciar é o erro mais comum, e é o que leva a resultados ruins.
Como cada uma se apresenta
| Causa | Distribuição | Aspecto | Pista clínica |
|---|---|---|---|
| Cárie inicial | Onde a placa acumula | Branca fosca, borda difusa | Some parcialmente com o dente úmido, reaparece ao secar |
| Fluorose | Simétrica, dentes equivalentes | Linhas, pontos ou áreas difusas | História de flúor em excesso na infância |
| Hipomineralização (MIH) | Assimétrica | Borda demarcada, branca a amarelada | Molares e incisivos permanentes, sensibilidade |
| Pós-aparelho | Contorno dos braquetes | Quadrada ou em meia-lua | Aparece ao remover o aparelho |
Cárie inicial
Chamada de lesão de mancha branca. Ainda não há cavidade: há perda de mineral abaixo de uma superfície ainda íntegra. Aparece na margem da gengiva, nas faces entre os dentes e ao redor de braquetes, ou seja, exatamente onde a escova não chega.
É a única mancha branca que pode ser revertida sem nenhum desgaste. Por isso vale identificar cedo.
Fluorose
Resultado de exposição excessiva ao flúor durante a formação dos dentes, na primeira infância. As fontes mais comuns são creme dental engolido em quantidade e suplementação sem indicação. Tende a ser simétrica e difusa, com linhas ou nuvens esbranquiçadas.
Nos graus leves, é só estética. Em graus mais altos pode haver manchas amarronzadas e irregularidades de superfície.
Hipomineralização molar-incisivo (MIH)
Um defeito de formação do esmalte que atinge primeiros molares permanentes e, com frequência, incisivos. As manchas são demarcadas, com borda nítida, e variam do branco ao amarelo e ao marrom.
A MIH é diferente das demais em um ponto que muda a conduta: o esmalte é frágil e pode lascar sob a mastigação, e os dentes costumam ser sensíveis, inclusive à anestesia. Não é caso apenas estético, e o acompanhamento precisa ser mais próximo.
Mancha pós-aparelho
Tecnicamente é cárie inicial, mas merece item próprio pela frequência. O braquete cria uma barreira à escovação, a placa se organiza ao redor e o esmalte desmineraliza no contorno. Quando o aparelho sai, a marca fica.
Quem está em tratamento com alinhadores ou aparelho fixo deve tratar a higiene ao redor do acessório como prioridade, justamente por isso.
O teste que ajuda a diferenciar
Existe uma observação simples que o profissional faz na cadeira: secar o dente com jato de ar.
- Mancha que aparece ou fica muito mais evidente ao secar costuma ser de desmineralização subsuperficial, ou seja, cárie inicial
- Mancha que se mantém igual úmida ou seca costuma ser defeito de formação, como fluorose ou MIH
Não é um teste definitivo, e o diagnóstico considera também localização, simetria, história de saúde na infância, exposição a flúor e uso prévio de aparelho. Mas explica por que, às vezes, a mancha parece sumir quando você molha o dente.
Os tratamentos, do menos ao mais invasivo
A regra é sempre a mesma: começar pelo menos invasivo e reavaliar. Esmalte removido não volta.
1. Remineralização
Aplicação profissional de verniz fluoretado e uso domiciliar de produtos com flúor em concentração adequada ou à base de fosfopeptídeo de caseína e fosfato de cálcio amorfo, associados a controle de placa e de frequência de açúcar.
- Indicada para: cárie inicial e mancha pós-aparelho recente
- Não funciona em: fluorose e MIH, que são defeitos de formação, não de mineral perdido depois
- Prazo: meses de uso consistente, com reavaliação
A mancha pode não desaparecer por completo, mas a lesão se inativa, que é o objetivo clínico principal.
2. Microabrasão do esmalte
Remoção de uma camada muito fina da superfície com pasta ácida e abrasiva, em aplicações controladas.
- Indicada para: manchas superficiais, fluorose leve e algumas marcas pós-aparelho
- Limite: atua em profundidade mínima. Mancha profunda não some
- Observação: é irreversível, ainda que mínima. Exige critério
3. Infiltração resinosa
Uma resina de baixíssima viscosidade penetra a porosidade da lesão e a preenche. Como o índice de refração dessa resina é próximo ao do esmalte, a mancha deixa de se destacar visualmente.
- Indicada para: lesões de mancha branca inativas, marcas de aparelho, fluorose leve a moderada
- Vantagem: praticamente não desgasta o dente
- Limite: manchas muito profundas e defeitos com perda de estrutura respondem menos
- Frequentemente combinada com clareamento prévio
4. Restauração em resina composta
Quando há perda de estrutura, lasca ou mancha profunda que não respondeu às etapas anteriores. A resina é estratificada para reproduzir a translucidez do dente.
É a conduta mais comum nos casos de MIH com esmalte fragilizado. Veja quanto tempo esse tipo de trabalho costuma durar em restauração em resina e o que envolve a restauração dentária.
5. Lentes de contato dental
Reservadas para casos em que as manchas são extensas, múltiplas e profundas, ou quando há também alteração de forma e de posição a corrigir. É a solução de maior cobertura e a de maior intervenção, e a decisão sobre lentes de contato dental deve vir depois de esgotadas as alternativas conservadoras.
Onde o clareamento entra
O clareamento não remove manchas brancas. Ele age sobre o fundo, e é aí que ajuda: ao clarear o esmalte ao redor, o contraste diminui e manchas leves ficam discretas.
Duas informações que evitam frustração:
1. Durante o clareamento a mancha fica mais aparente. O esmalte poroso desidrata e responde mais rápido que o esmalte sadio. Isso se acomoda nas semanas seguintes
2. A reavaliação é feita depois da estabilização da cor, em geral algumas semanas após o fim do protocolo. Só então se decide se ainda é preciso infiltrar ou restaurar
Quem está decidindo entre as modalidades pode comparar em clareamento caseiro e de consultório.
O que não fazer
- Bicarbonato, carvão ativado e pastas abrasivas caseiras. Desgastam esmalte sadio e não tratam a mancha
- Limão ou vinagre. Ácidos desmineralizam e pioram exatamente o problema que você quer resolver
- Raspar com qualquer objeto. A superfície da lesão inicial ainda está íntegra, e é ela que permite a remineralização
- Tratar sem diagnóstico. Microabrasão em cárie ativa não resolve a causa. Remineralização em fluorose não muda nada
Prevenção, quando ainda dá tempo
- Higiene rigorosa ao redor de braquetes e attachments, com escova interdental ou unitufo
- Supervisão da escovação em crianças pequenas e quantidade correta de creme dental, para reduzir risco de fluorose
- Frequência de açúcar importa mais que quantidade. Cada exposição reinicia o ciclo de desmineralização
- Verniz fluoretado profissional em quem usa aparelho ou tem histórico de cárie
- Fotos de controle nas consultas: é o que mostra se a mancha está ativa ou estável
Tratamento de manchas brancas em Atibaia
Se apareceram manchas brancas nos seus dentes ou nos do seu filho, o primeiro passo não é escolher tratamento: é saber qual das causas é a sua, porque a conduta muda por completo entre elas.
Na MDL Odontologia Estética, no Jardim Paulista, em Atibaia, a Dra. Manuela Longo (CRO/SP 179159) faz o diagnóstico diferencial das manchas, registra em foto para comparação e propõe o caminho começando sempre pela opção menos invasiva que resolve o seu caso. Conforme a Resolução CFO-118/2012, o plano e o investimento são apresentados na avaliação clínica presencial.
WhatsApp (11) 93746-0102. Segunda a sexta das 9h às 18h, sábado das 9h às 12h. Atendemos pacientes de Atibaia e de toda a região.