A extração correu bem, a dor tinha passado — e no terceiro dia voltou pior, latejante, irradiando para o ouvido. Isso tem nome: alveolite. Entenda por que acontece, o que resolve, quanto tempo dura e como reduzir o risco.
O que aconteceu na sua boca
Quando um dente é extraído, o sangue preenche o alvéolo — o buraco onde estava a raiz — e forma um coágulo. Esse coágulo é um curativo biológico. Ele protege o osso exposto, protege as terminações nervosas e serve de base para o tecido novo crescer.
Na alveolite, esse coágulo se desintegra ou é deslocado antes da hora. O que fica é osso vivo exposto à boca, em contato com saliva, ar, alimento e temperatura.
Daí a dor. Ela não é "infecção": é osso sem proteção.
O padrão que identifica a alveolite
É o que mais diferencia a alveolite de um pós-operatório comum:
| Cicatrização normal | Alveolite |
|---|---|
| Dor máxima nas primeiras 24h, diminuindo dia após dia | Dor melhora, e volta pior entre o 2º e o 4º dia |
| Responde bem ao analgésico prescrito | Analgésico comum quase não resolve |
| Coágulo escuro visível no alvéolo | Alvéolo vazio, esbranquiçado, osso à vista |
| Hálito normal | Gosto e cheiro fortemente ruins |
| Dor localizada | Irradia para ouvido, têmpora e pescoço do mesmo lado |
A dor que volta depois de ter melhorado é o sinal. Um pós-operatório normal é uma curva descendente.
Por que acontece
A alveolite ocorre em uma minoria das extrações, mas a frequência sobe muito em sisos inferiores inclusos — a região de maior risco de todas.
Fatores que aumentam a chance:
- Fumar — o mais importante. A sucção desloca o coágulo e a nicotina reduz o fluxo sanguíneo local
- Sucção: canudo, cuspir com força, bochechar forte nas primeiras 48h
- Extração cirúrgica mais complexa, com maior manipulação óssea
- Anticoncepcional oral — o estrogênio interfere na estabilidade do coágulo
- Histórico de alveolite em extração anterior
- Higiene bucal ruim ou infecção ativa no momento da extração
- Idade acima de 25 anos, por osso mais denso e menos elástico
Repare: boa parte da lista está sob seu controle nas primeiras 48 horas.
O que fazer se a dor voltou
Ligue para a clínica e volte. Este é um dos poucos quadros odontológicos em que o tratamento é simples, rápido e transforma a dor em poucas horas — e em que tentar resolver em casa só prolonga o sofrimento.
Enquanto você se organiza para ir:
- Analgésico que você já usa e tolera bem, sem dobrar dose por conta própria
- Compressa fria por fora do rosto
- Evitar qualquer sucção, cigarro e bochecho forte
- Não colocar nada dentro do alvéolo: nem comprimido macerado, nem cravo, nem algodão com álcool, nem pomada não prescrita
Não se automedique com antibiótico. Ele não resolve alveolite e atrasa o que resolve.
Como é o tratamento
É direto e o alívio costuma ser imediato:
1. Irrigação do alvéolo com soro fisiológico ou solução antisséptica, removendo restos alimentares e tecido necrótico
2. Curativo intra-alveolar com substância analgésica e antisséptica, que sela o osso exposto
3. Reavaliação em 24 a 72 horas, com troca do curativo se necessário
4. Orientação de higiene da região até o alvéolo preencher
Em geral bastam uma ou duas trocas. O alvéolo fecha por completo ao longo de semanas, mas a dor forte acaba muito antes disso.
Prevenção: o que fazer nas primeiras 48 horas
Esta lista é a diferença entre um pós-operatório tranquilo e duas semanas ruins:
Nas primeiras 24 a 48 horas, evite:
- Fumar — sem exceções, é o fator de risco número um
- Canudo e qualquer sucção
- Cuspir com força; deixe a saliva escorrer se precisar
- Bochechar vigorosamente
- Esforço físico intenso, academia, sol forte
- Alimentos duros, quentes ou com grãos e sementes pequenas
- Álcool
Faça:
- Compressa fria por fora, 15 minutos sim, 15 não, no primeiro dia
- Alimentação fria e macia, mastigando do lado oposto
- Medicação exatamente como prescrita, inclusive nos horários em que a dor parece ter passado
- Higiene normal dos outros dentes, com cuidado ao redor da área
- Bochecho morno com água e sal só a partir do segundo dia, e de forma suave
Quando não é alveolite
Nem toda dor pós-extração é alveolite. Procure atendimento no mesmo dia se aparecer:
- Febre e mal-estar geral
- Inchaço que aumenta a partir do terceiro dia (o inchaço normal atinge o pico em 48h e regride)
- Pus saindo da região
- Dificuldade crescente de abrir a boca ou de engolir
- Sangramento que não para com compressão de gaze por 30 minutos
Esses sinais apontam para infecção, e a conduta é outra.
A relação com o siso
A maioria dos casos de alveolite acontece após extração de siso inferior. Por isso vale entender antes quando o siso realmente precisa ser extraído — e, se o motivo da sua extração foi gengiva inflamada em cima do dente, o quadro se chama pericoronarite.
Extrair com planejamento, fora da fase aguda quando possível, e com orientação de pós-operatório bem feita reduz de forma significativa o risco.
Pós-operatório e urgência em Atibaia
Se você extraiu um dente e a dor voltou depois de ter melhorado, não espere passar: o tratamento leva uma consulta curta e o alívio é rápido.
Na MDL Odontologia Estética, no Jardim Paulista, em Atibaia, a Dra. Manuela Longo (CRO/SP 179159) atende quadros de pós-operatório, faz a limpeza do alvéolo e o curativo na mesma sessão, com reavaliação incluída. Conforme a Resolução CFO-118/2012, o plano e o investimento são apresentados na avaliação clínica presencial.
WhatsApp (11) 93746-0102. Segunda a sexta das 9h às 18h, sábado das 9h às 12h. Atendemos pacientes de Atibaia e de toda a região.