Prevenção

Erosão dentária: como identificar o desgaste do esmalte e parar a perda

9 min de leitura

Erosão, abrasão, atrição e abfração são quatro tipos diferentes de desgaste, e o tratamento muda em cada um. Entenda como reconhecer a erosão ácida, quais são as causas internas e externas e por que escovar logo depois do ácido piora o quadro.

Erosão dentária é desgaste por ácido, não por bactéria

Erosão dentária é a perda de esmalte por dissolução química, causada por ácido, sem participação de bactéria. É diferente de cárie e é diferente dos outros tipos de desgaste, que são mecânicos.

Essa distinção não é acadêmica: ela decide o tratamento. Tratar erosão como se fosse abrasão leva o paciente a trocar de escova e continuar perdendo esmalte todos os dias.

As quatro formas de desgaste

TipoMecanismoOnde apareceAspecto típico
ErosãoQuímico, por ácidoFaces internas dos superiores, pontas de cúspideLiso, brilhante, arredondado
AbrasãoMecânico, agente externoColo dos dentes, lado oposto à mão dominanteEntalhe em cunha, bordas nítidas
AtriçãoDente contra denteBordas incisais e cúspidesFacetas planas que encaixam
AbfraçãoFlexão sob cargaRegião cervicalPerda em cunha na junção com a gengiva

Na prática, quase sempre há mais de um mecanismo ao mesmo tempo. Um paciente com refluxo que também aperta os dentes à noite tem erosão e atrição combinadas, e o esmalte amolecido pelo ácido desgasta muito mais rápido sob a força do apertamento. Nesse caso, tratar só o bruxismo resolve metade do problema.

Como reconhecer a erosão

Os sinais são silenciosos e muito fáceis de perder de vista, porque o desgaste é lento e simétrico, e o espelho se acostuma.

  • Superfície lisa e brilhante demais, sem a textura e os sulcos naturais do esmalte novo
  • Pequenas depressões arredondadas nas pontas das cúspides dos molares e pré-molares, um sinal bastante específico
  • Bordas dos dentes da frente ficando transparentes e, com o tempo, irregulares ou lascadas
  • Restaurações antigas que parecem elevadas, como ilhas acima do dente: elas não subiram, o dente ao redor é que desgastou
  • Dentes mais amarelados de forma difusa, porque a dentina começa a aparecer através de um esmalte mais fino
  • Sensibilidade generalizada ao frio, ao doce e ao ácido, diferente da dor localizada de uma cárie

Se a sensibilidade é o sintoma que mais incomoda, vale ler também sensibilidade nos dentes: causas e tratamento.

As causas externas

São os ácidos que entram pela boca. O que mais pesa não é a quantidade, e sim a frequência e o tempo de contato.

  • Refrigerantes, inclusive os sem açúcar. O ácido fosfórico e o cítrico agem independentemente do adoçante
  • Bebidas energéticas e isotônicas, muitas vezes consumidas devagar durante o treino, o que prolonga muito o contato
  • Sucos cítricos e frutas ácidas, especialmente chupadas ou mantidas na boca
  • Vinho branco e espumante, com consumo lento por natureza
  • Vinagre, em saladas diárias e em receitas de bebidas caseiras de emagrecimento
  • Chás de frutas vermelhas e de hibisco, mais ácidos do que a maioria imagina
  • Vitamina C mastigável ou efervescente de uso contínuo
  • Balas ácidas, pelo pH baixo somado ao tempo na boca

Um mesmo refrigerante tomado de uma vez ou bebericado ao longo de uma hora tem impactos muito diferentes. O tempo de exposição é a variável que mais importa.

As causas internas

Vêm do próprio organismo e costumam causar mais dano, porque o ácido gástrico é mais agressivo e o contato se repete.

Refluxo gastroesofágico. O ácido atinge sobretudo a face interna dos dentes superiores. É comum que o desgaste dental seja o primeiro sinal percebido, antes de qualquer diagnóstico médico. O refluxo noturno é o mais destrutivo, porque durante o sono o fluxo de saliva diminui e a proteção natural cai.

Vômito recorrente. De qualquer origem, incluindo gestação, enxaqueca e efeito de medicamentos.

Transtornos alimentares. Quando há episódios repetidos de vômito, o desgaste dental aparece cedo e de forma marcante. Este é um quadro de saúde que vai muito além da boca, e o cuidado odontológico é apenas uma parte dele: o acompanhamento adequado é multiprofissional, com equipe médica, nutricional e psicológica. A abordagem na clínica é de acolhimento e de proteção do esmalte, sem julgamento, e com encaminhamento respeitoso quando a paciente estiver aberta a isso. Se esse é o seu caso, procurar ajuda profissional é o passo que muda o desfecho, inclusive o dental.

Boca seca. Não é fonte de ácido, mas remove a defesa. A saliva neutraliza o pH e repõe mineral. Medicamentos, respiração bucal e algumas condições sistêmicas reduzem o fluxo e aceleram qualquer erosão existente.

O erro clássico: escovar logo depois

Depois do contato com o ácido, a camada superficial do esmalte fica temporariamente amolecida. Escovar nesse momento raspa estrutura que ainda teria chance de se remineralizar. A intenção é boa e o resultado é o oposto.

O que fazer em vez disso:

1. Enxaguar a boca com água logo após o ácido, ou usar uma solução fluoretada

2. Esperar de 30 a 60 minutos antes de escovar

3. Mascar chiclete sem açúcar no intervalo, para estimular a saliva

4. Consumir algo lácteo depois, como leite ou queijo, que ajuda a tamponar o pH

5. Escovar com escova macia e creme fluoretado, sem pressão

Mais duas medidas simples e eficazes: usar canudo para bebidas ácidas, reduzindo o contato com os dentes da frente, e não bochechar nem segurar a bebida na boca.

Interromper a causa vem antes de restaurar

Esta é a diferença entre um tratamento que dura e um que se repete.

  • Erosão externa: mapear a fonte real. Nem sempre é o refrigerante óbvio. Muitas vezes é a garrafinha de água com limão que acompanha o dia inteiro
  • Refluxo: acompanhamento médico. Sem isso, qualquer restauração vai sendo dissolvida na borda
  • Bruxismo associado: placa de proteção, que também protege o esmalte enfraquecido pelo ácido
  • Boca seca: revisão dos medicamentos com o médico, hidratação e produtos específicos
  • Flúor em concentração terapêutica, aplicado profissionalmente ou prescrito para uso domiciliar

E o acompanhamento objetivo: fotos padronizadas e modelos de controle. Desgaste avança devagar, e só a comparação ao longo do tempo mostra se parou. Impressão de memória não serve.

Quando restaurar

A restauração entra quando há perda funcional ou estética relevante, sensibilidade que não cede às medidas conservadoras ou risco de aproximação da polpa.

  • Casos leves: acompanhamento, flúor e mudança de hábito
  • Perda localizada: restauração em resina, preservando o máximo de estrutura
  • Perda extensa em um dente: coroa ou peça parcial, conforme o remanescente
  • Perda generalizada em várias unidades: planejamento de reabilitação, com avaliação da mordida e da altura entre as arcadas antes de qualquer preparo

Em desgastes severos, a altura entre as arcadas costuma ter diminuído, e devolver essa dimensão exige planejamento completo. Não é um caso de resolver um dente por vez conforme incomoda.

Prevenção que funciona

  • Reduza a frequência, não só a quantidade. Um refrigerante na refeição agride menos que goles ao longo da tarde
  • Prefira consumir junto com as refeições, quando o fluxo de saliva está maior
  • Água pura como bebida do dia a dia. Água com limão, não
  • Escova macia, creme fluoretado, pressão leve. Escova dura sobre esmalte erodido multiplica a perda
  • Nunca escove imediatamente após o ácido
  • Trate refluxo e apertamento como parte do cuidado dental, e não como assuntos separados
  • Revisões regulares, porque a erosão é identificada cedo por quem compara ao longo do tempo

Avaliação de desgaste dentário em Atibaia

Se os seus dentes estão mais sensíveis, se as bordas ficaram transparentes ou se uma restauração antiga parece estar mais alta que o dente ao redor, vale investigar o desgaste antes que ele exija reabilitação.

Na MDL Odontologia Estética, no Jardim Paulista, em Atibaia, a Dra. Manuela Longo (CRO/SP 179159) identifica qual mecanismo está desgastando os seus dentes, se é ácido, atrito ou força, registra o quadro em fotos de controle e define o plano na ordem correta: primeiro interromper a causa, depois devolver a estrutura perdida. Conforme a Resolução CFO-118/2012, o plano e o investimento são apresentados na avaliação clínica presencial.

WhatsApp (11) 93746-0102. Segunda a sexta das 9h às 18h, sábado das 9h às 12h. Atendemos pacientes de Atibaia e de toda a região.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre erosão, abrasão, atrição e abfração?

Erosão é a dissolução química do esmalte por ácido, sem envolver bactéria, e deixa superfícies lisas e brilhantes. Abrasão é desgaste mecânico por um agente externo, como escova dura, creme abrasivo ou hábito de morder objetos, e costuma formar entalhes no colo do dente. Atrição é o desgaste de dente contra dente, típico do bruxismo, com facetas planas que encaixam entre as arcadas. Abfração é a perda de estrutura na região cervical atribuída à flexão do dente sob carga excessiva. Na maioria dos pacientes há combinação de mais de um mecanismo.

O esmalte desgastado volta a crescer?

Não. O esmalte é o tecido mais mineralizado do corpo e não tem células capazes de reproduzi-lo, ao contrário do osso e da pele. O que se pode fazer é remineralizar superficialmente uma área amolecida por ácido recente, devolvendo dureza a uma camada muito fina, e isso já é relevante para reduzir sensibilidade e frear a perda. Mas estrutura perdida em espessura não se recupera biologicamente, ela é reposta com material restaurador. Por isso o foco do tratamento é sempre identificar e interromper a causa antes de restaurar.

Posso escovar os dentes logo depois de tomar refrigerante?

É justamente o que não se deve fazer. Logo após o contato com o ácido, a camada superficial do esmalte fica temporariamente amolecida, e escovar nesse momento remove estrutura que ainda poderia se recuperar. A orientação é enxaguar a boca com água imediatamente, ou usar uma solução fluoretada, e esperar em torno de 30 a 60 minutos antes de escovar. Mascar chiclete sem açúcar nesse intervalo ajuda, porque estimula a saliva, que é o sistema natural de neutralização e remineralização da boca.

Refluxo estraga os dentes?

Estraga, e o padrão de desgaste é característico: o ácido do estômago atinge principalmente a face interna dos dentes superiores, que vai ficando lisa, fina e translúcida, muitas vezes antes de o paciente ter qualquer diagnóstico gástrico. Em vários casos a dentista é a primeira a suspeitar do refluxo. O tratamento odontológico sozinho não resolve: é preciso acompanhamento médico para o refluxo, sem o qual qualquer restauração feita continuará sendo dissolvida. Refluxo noturno é particularmente agressivo, porque o fluxo de saliva cai durante o sono.

Como sei se tenho erosão dentária?

Os sinais iniciais são discretos e fáceis de ignorar. Os mais confiáveis são a superfície lisa e brilhante demais, sem a textura natural do esmalte, pequenas depressões arredondadas nas pontas das cúspides dos molares, bordas dos dentes da frente ficando transparentes e restaurações antigas que parecem estar mais altas que o dente ao redor, sinal de que o dente desgastou e a restauração não. Sensibilidade generalizada ao frio e ao doce costuma acompanhar. O diagnóstico é clínico e o acompanhamento é feito com fotos e modelos comparativos ao longo do tempo.

Quando a erosão precisa de restauração?

Quando há perda funcional ou estética relevante, sensibilidade que não responde às medidas conservadoras ou risco de exposição da polpa. A regra é que a restauração venha depois do controle da causa, nunca antes: restaurar com o ácido ainda ativo significa ver o mesmo desgaste se repetir ao redor do material. Casos leves são acompanhados com fotos, aplicação de flúor e mudança de hábitos. Casos com perda extensa em várias unidades exigem planejamento de reabilitação, com avaliação da mordida e da altura entre as arcadas.

Dra. Manuela Longo
Cirurgiã-Dentista · CRO/SP 179159 · MDL Odontologia Estética em Atibaia

Agende uma avaliação com hora marcada

A Dra. Manuela Longo (CRO/SP 179159) avalia o seu caso individualmente e indica o tratamento mais adequado para você.

Agendar no WhatsApp
Agendar no WhatsApp