Estética

Gengivoplastia: o que é, como é feita e como é a cicatrização

9 min de leitura

Gengivoplastia é a cirurgia que recontorna a margem da gengiva para corrigir a proporção do sorriso. Veja a diferença para a gengivectomia, quando é só tecido e quando é preciso recontornar o osso, laser ou bisturi, e como é o pós-operatório passo a passo.

O que é gengivoplastia

Gengivoplastia é a cirurgia que remove e redesenha o excesso de gengiva sobre os dentes, expondo a altura de coroa que já existe por baixo. Não é um procedimento estético superficial: é cirurgia plástica periodontal, feita com anestesia local, medição prévia e critério clínico.

O objetivo não é ter "menos gengiva". É corrigir a proporção entre dente e gengiva e acertar o contorno de cada unidade, porque uma margem desalinhada faz um dente parecer curto, torto ou menor que o vizinho mesmo quando o dente está perfeito.

Este artigo é sobre o procedimento em si. Se a sua dúvida é sobre o sintoma, ou seja, mostrar muita gengiva ao sorrir e quais são todas as opções de tratamento, comece por sorriso gengival: causas e formas de correção.

Gengivoplastia e gengivectomia: a diferença real

Os dois termos aparecem como sinônimos, mas descrevem etapas distintas:

GengivectomiaGengivoplastia
O que fazRemove o excesso de tecidoRecontorna o tecido remanescente
FocoQuantidade de gengivaFormato, simetria e zênite de cada dente
Papila entre os dentesNão é o alvoÉ desenhada nesta etapa
Espessura da bordaFica como ficouÉ afinada para acompanhar o dente

Na prática, quase toda cirurgia inclui as duas. Remover sem redesenhar deixa uma margem reta, grossa e artificial. O que separa um resultado bom de um resultado ruim é o desenho, não o corte.

O que é medido antes do corte

Esta é a parte que o paciente não vê e que define tudo.

Sondagem periodontal. Mede a profundidade do sulco em cada dente. Um sulco profundo com o dente coberto indica erupção passiva alterada, ou seja, gengiva que nunca terminou de recuar na adolescência. É a indicação clássica de gengivoplastia.

Sondagem óssea, ou sondagem transcirúrgica. Feita sob anestesia, atravessando o tecido até tocar o osso. É o exame que responde à pergunta central: dá para resolver só com tecido mole?

Análise do sorriso em vídeo. Estática não basta. É preciso ver o lábio em repouso, na fala e no sorriso máximo, porque parte dos casos não é problema de gengiva.

Radiografia ou tomografia. Mostra o nível ósseo e a proporção real das coroas.

Quando é só tecido e quando precisa de osteotomia

Aqui está o conceito que explica por que duas cirurgias com o mesmo nome têm complexidades diferentes.

Entre o topo do osso e o fundo do sulco existe uma faixa de tecido de cerca de 2 a 3 milímetros, chamada distância biológica. O organismo defende esse espaço. Se a gengiva for recortada invadindo-o, o corpo reage com inflamação crônica e recria a faixa, devolvendo a gengiva ao lugar de origem em semanas ou meses.

  • Sobra osso suficiente abaixo da margem planejada: gengivoplastia simples, só tecido mole. Cirurgia mais rápida e pós-operatório leve.
  • O osso está alto, próximo da margem planejada: é preciso descolar um retalho e recontornar o osso. O procedimento passa a ser aumento de coroa clínica, com sutura, pós-operatório um pouco mais longo e maturação mais demorada.

Um recorte de gengiva feito sem essa medição é a causa mais comum de recidiva. Não é azar do paciente: é planejamento ausente.

Laser, eletrocautério ou bisturi

InstrumentoOnde funciona melhorLimitação
Laser de diodoRecortes superficiais, hemostasia imediata, pós confortávelNão acessa nem recontorna osso
EletrocautérioCorte com hemostasia, bom controle em tecido espessoExige distância segura do osso e do metal de restaurações
Bisturi convencionalPrecisão de borda, retalho, acesso ao ossoSangramento durante o ato, exige sutura

Não existe instrumento superior em todas as situações, e é comum usar mais de um na mesma sessão. Desconfie de quem vende a técnica como se ela fosse o resultado.

Como é feita, etapa por etapa

1. Checagem de saúde gengival. Nenhuma cirurgia estética é feita sobre gengiva inflamada. Se houver gengivite, tártaro ou doença periodontal, o tratamento de gengiva vem antes, sem exceção.

2. Anestesia local da região a ser operada.

3. Marcação do zênite de cada dente, ou seja, o ponto mais alto da margem gengival. Ele não é igual em todos os dentes: nos incisivos centrais e caninos fica mais alto, nos laterais fica levemente abaixo. Essa assimetria proposital é o que faz o resultado parecer natural.

4. Sondagem óssea nos pontos marcados, confirmando se haverá ou não osteotomia.

5. Incisão e remoção do excesso.

6. Recontorno ósseo, quando indicado, com retalho e instrumentos rotatórios sob irrigação.

7. Afinamento da borda e desenho da papila.

8. Sutura, quando houve retalho. Em gengivoplastia superficial, frequentemente não há sutura.

A duração habitual é de 40 a 90 minutos, conforme o número de dentes envolvidos.

Cicatrização: os dois tempos

Confundir esses prazos gera ansiedade desnecessária no décimo dia.

FasePrazoO que acontece
Fechamento superficial7 a 14 diasDesconforto passa, o aspecto esbranquiçado some
Maturação do tecido60 a 90 diasA margem acomoda e assume a posição final
Estabilização após osteotomiaaté 6 mesesRemodelação óssea completa

Por isso nada definitivo é feito antes desse prazo. Se o plano inclui lentes de contato dental ou coroas, elas entram depois da maturação. Moldar sobre uma margem que ainda vai se mover produz um trabalho com a linha da gengiva errada, e o problema aparece justamente no que era para ser o resultado.

Pós-operatório

  • Alimentação fria ou morna e de consistência macia nos primeiros dias
  • Evitar ácidos, condimentados e muito quentes enquanto houver sensibilidade
  • Escova extramacia na região, sem abandonar a higiene: placa acumulada é o que mais atrapalha a cicatrização
  • Bochecho antisséptico apenas se prescrito, no tempo indicado
  • Sem esforço físico intenso nos primeiros dias
  • Sem cigarro. O tabagismo é o fator isolado que mais compromete o resultado de cirurgia periodontal
  • Retornos de controle, em geral em 7 e em 30 dias

Sangramento discreto nas primeiras horas é esperado. Dor crescente a partir do terceiro dia, inchaço que aumenta, febre ou secreção não são esperados e pedem contato imediato com a clínica.

Quando a gengivoplastia não é a solução

Vale ser direto, porque é a informação que evita cirurgia inútil.

Lábio hipermóvel. Alguns pacientes têm dentes de altura normal e gengiva na posição correta, mas o músculo elevador do lábio superior levanta demais ao sorrir. Recortar gengiva aqui não resolve, e ainda pode expor raiz. A abordagem é sobre o músculo, no campo da harmonização orofacial.

Excesso vertical da maxila. O osso superior é longo demais. É um caso de cirurgia ortognática, com equipe de bucomaxilofacial. Gengivoplastia não muda posição de maxila.

Dentes desgastados por bruxismo ou erosão. O dente está curto porque perdeu estrutura na borda, não porque a gengiva o cobre. Recortar gengiva aqui piora a proporção. O caminho é devolver altura à borda incisal.

Periodontite ativa. Gengiva que retraiu por perda óssea não tem excesso para remover. Nesses casos, cortar tecido agrava. Leia periodontite: o que o tratamento recupera e o que não volta.

A avaliação correta separa esses quadros antes da cirurgia, e é comum que o caso seja misto, exigindo mais de uma abordagem em sequência.

Gengivoplastia em Atibaia

Se você sente que os dentes parecem curtos, que a gengiva está desalinhada entre um dente e outro ou já ouviu que o caso é de gengivoplastia e quer entender o que exatamente será feito, a avaliação responde com medida, não com opinião.

Na MDL Odontologia Estética, no Jardim Paulista, em Atibaia, a Dra. Manuela Longo (CRO/SP 179159) faz a sondagem periodontal e óssea, a análise do sorriso em vídeo e define se o caso é de recontorno de tecido, de aumento de coroa clínica ou se a causa está fora da gengiva, dentro de um plano de saúde e estética gengival. Conforme a Resolução CFO-118/2012, o plano e o investimento são apresentados na avaliação clínica presencial.

WhatsApp (11) 93746-0102. Segunda a sexta das 9h às 18h, sábado das 9h às 12h. Atendemos pacientes de Atibaia e de toda a região.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre gengivoplastia e gengivectomia?

Gengivectomia é a remoção do excesso de gengiva: corta-se o tecido que sobra. Gengivoplastia é o recontorno desse tecido, ou seja, o desenho da nova margem, com afinamento da borda e reconstrução do formato de cada dente e da papila entre eles. Na prática clínica as duas quase sempre acontecem na mesma sessão, porque não adianta remover sem redesenhar. Quando alguém fala só em gengivoplastia, geralmente está se referindo ao procedimento completo. A diferença importa mais no planejamento do que na experiência do paciente.

Quando a gengivoplastia precisa de osteotomia?

Quando a crista óssea está muito próxima da margem gengival. Existe uma faixa de tecido entre o osso e o sulco, chamada distância biológica, que o organismo defende: se a gengiva for recortada sem respeitá-la, o tecido reinflama e volta a crescer em poucas semanas. A medida é feita com sondagem óssea sob anestesia, antes de qualquer corte. Havendo menos de cerca de 3 milímetros entre o osso e a nova margem planejada, é necessário recontornar o osso, e o procedimento passa a se chamar aumento de coroa clínica.

Gengivoplastia dói? Como é o pós-operatório?

O procedimento é feito sob anestesia local e não dói durante. O pós-operatório costuma ser de desconforto leve, comparável ao de uma limpeza profunda, mais intenso nas primeiras 48 horas e controlado com a medicação orientada pela dentista. O que mais incomoda não é dor, e sim a sensibilidade ao frio e a dificuldade de escovar a região nos primeiros dias. Casos que envolveram recontorno ósseo têm pós-operatório um pouco mais sensível, com inchaço discreto. Nunca use medicamento por conta própria: a prescrição é individual.

Quanto tempo leva a cicatrização da gengivoplastia?

Há dois tempos diferentes, e confundi-los gera frustração. O fechamento superficial acontece em 7 a 14 dias: é quando o desconforto some e a gengiva perde o aspecto esbranquiçado da cicatrização inicial. Já a maturação completa do tecido, com a margem estabilizando na posição final, leva de 60 a 90 dias, e pode chegar a 6 meses quando houve osteotomia. Por isso nenhum trabalho estético definitivo, como lentes ou coroas, deve ser feito antes desse prazo: a margem ainda está se acomodando.

Laser ou bisturi: qual é melhor para gengivoplastia?

Nenhum dos dois é superior em todas as situações. O laser de diodo e o eletrocautério fazem hemostasia durante o corte, o que dá campo limpo e pós-operatório mais confortável em recortes pequenos e superficiais. O bisturi convencional dá corte mais preciso na borda e é o instrumento de escolha quando é preciso descolar um retalho para acessar e recontornar o osso, algo que o laser não faz bem. Em muitos casos os dois são usados na mesma cirurgia. O que define o resultado é o planejamento da margem, não o instrumento.

A gengiva volta a crescer depois da gengivoplastia?

Quando o planejamento respeitou a distância biológica e o paciente mantém a higiene, o resultado é estável a longo prazo. O crescimento de volta acontece em situações previsíveis: recorte feito sem avaliar o nível ósseo, inflamação persistente por placa acumulada na região, tabagismo, e uso de alguns medicamentos que causam aumento gengival, como certos anticonvulsivantes, imunossupressores e bloqueadores de canal de cálcio. Nesses casos a recidiva não é falha da técnica, é a causa que não foi identificada antes.

Dra. Manuela Longo
Cirurgiã-Dentista · CRO/SP 179159 · MDL Odontologia Estética em Atibaia

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A Dra. Manuela Longo (CRO/SP 179159) avalia o seu caso individualmente e indica o tratamento mais adequado para você.

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