Periodontite é a inflamação que passou da gengiva e atingiu o osso que segura o dente. Entenda a diferença para gengivite, o que o tratamento realmente recupera, o que é perda definitiva e como saber em que estágio você está.
O que é periodontite, sem rodeio
Periodontite é a inflamação que passou da gengiva e começou a destruir o osso que segura o dente.
O dente não está cravado no osso como um prego. Ele é sustentado por um conjunto de estruturas — gengiva, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar — que trabalham juntas. Quando a placa bacteriana se acumula abaixo da margem da gengiva e permanece ali, a resposta inflamatória do próprio corpo passa a reabsorver esse osso para afastar a infecção.
O resultado é uma bolsa: um espaço entre a raiz e a gengiva, fundo demais para qualquer escova alcançar, onde a bactéria vive protegida. Quanto mais fundo, mais osso foi perdido.
Gengivite e periodontite não são o mesmo estágio
Essa distinção decide o prognóstico do seu caso:
| Gengivite | Periodontite | |
|---|---|---|
| O que está inflamado | Só a gengiva | Gengiva, ligamento e osso |
| Sangramento | Sim | Sim, e costuma ser mais espontâneo |
| Perda de osso | Não | Sim |
| Bolsa na sondagem | Até 3 mm | 4 mm ou mais |
| Dente mole | Não | Nos casos moderados e avançados |
| Reversível | Sim, totalmente | Estabiliza, mas deixa sequela |
Toda periodontite começou como gengivite. Nem toda gengivite vira periodontite — a progressão depende de suscetibilidade individual, e é aí que entram os fatores de risco.
Os sinais que as pessoas ignoram por anos
A periodontite é silenciosa. Praticamente não dói até formar abscesso. O que ela dá são sinais discretos:
- Sangramento ao escovar ou passar fio dental — o primeiro e mais ignorado. Gengiva saudável não sangra
- Gengiva retraída — "meu dente parece maior do que era"
- Sensibilidade na raiz exposta — dói com gelado num ponto específico, perto da gengiva
- Mau hálito persistente que não melhora com escovação
- Sensação de dente solto ao morder
- Espaço que abriu entre os dentes da frente, ou dente que "entortou" na idade adulta
- Gosto ruim ou pequena saída de pus ao pressionar a gengiva
Migração de dente em adulto sem nenhum trauma é um sinal clássico de perda de suporte. O dente não se moveu por vontade própria: ele perdeu o osso que o mantinha no lugar.
Quem tem mais risco
Não é só questão de escovar. Os fatores que mais pesam:
- Tabagismo — o mais forte de todos. Fumar multiplica o risco e ainda reduz o sangramento, mascarando a doença. Fumante costuma descobrir tarde
- Diabetes descompensado — relação de mão dupla comprovada
- Genética — histórico familiar de perda precoce de dentes é sinal de alerta
- Estresse crônico e má qualidade de sono — alteram a resposta imune
- Tártaro abaixo da gengiva — a placa mineralizada mantém a inflamação viva (entenda como o tártaro se forma)
- Apinhamento e restaurações mal adaptadas — retêm placa onde ninguém limpa
- Boca seca por medicamento ou respiração bucal
Como é feito o diagnóstico
Não dá para diagnosticar periodontite olhando. O exame tem duas partes obrigatórias:
Sondagem periodontal. Uma sonda milimetrada mede a profundidade da bolsa em seis pontos de cada dente. Registra-se também sangramento à sondagem, retração e mobilidade. É esse mapa que define o estágio.
Radiografias. Mostram o nível ósseo real e o formato do defeito — informação que a sondagem sozinha não dá e que determina se há chance de regeneração.
A partir dos dois, o caso é classificado por estágio (quanto já se perdeu: I a IV) e por grau (velocidade de progressão: A, B ou C). Essa classificação não é burocracia: ela define o intervalo de manutenção e o prognóstico de cada dente.
O tratamento, etapa por etapa
1. Raspagem e alisamento radicular
É a base do tratamento e resolve a maioria dos casos. Com anestesia local, o profissional remove o cálculo e o biofilme de dentro da bolsa e alisa a superfície da raiz para que a gengiva possa readerir. É feito por quadrantes ou em sessões mais longas, conforme a extensão.
Não é a mesma coisa que a limpeza de rotina. A limpeza convencional atua acima da gengiva; a raspagem radicular trabalha dentro da bolsa, abaixo dela.
2. Reavaliação — a etapa que costuma ser pulada
Cerca de 30 a 90 dias depois, a sondagem é refeita, ponto a ponto. Essa comparação é o que prova se o tratamento funcionou. Bolsas que fecharam entram em manutenção; bolsas que persistem em 5 mm ou mais, com sangramento, indicam necessidade de abordagem cirúrgica naquela região específica.
Tratamento periodontal sem reavaliação documentada é tratamento sem verificação de resultado.
3. Cirurgia periodontal, quando necessária
Em bolsas profundas que não responderam, a cirurgia de acesso permite limpar a raiz sob visão direta e remodelar o tecido. Em defeitos ósseos verticais de formato favorável, é possível usar enxerto e membrana para regenerar parte do osso perdido. Em perda horizontal generalizada, a regeneração não é previsível — nesses casos o objetivo é estabilizar.
4. Manutenção periodontal
É aqui que o resultado se sustenta ou se perde. O intervalo é individual — normalmente de 3 a 4 meses no primeiro ano — e inclui nova sondagem, raspagem das áreas que recidivaram e reforço de higiene.
Periodontite tratada e abandonada volta. A manutenção não é uma limpeza a mais: é a continuação do tratamento.
O que volta e o que não volta
Vale ser honesto sobre isso, porque é a pergunta real por trás de "tem cura":
| Recupera | Não recupera sozinho |
|---|---|
| Inflamação e sangramento | Osso já reabsorvido |
| Profundidade de bolsa (redução) | Altura da gengiva que retraiu |
| Mau hálito de origem periodontal | Raiz exposta volta a ser coberta |
| Mobilidade leve, em parte dos casos | Dente com perda acima de dois terços |
O objetivo do tratamento é parar a destruição e manter os dentes em função. Isso é alcançável na grande maioria dos casos, inclusive em quadros avançados. O que não se recupera é o tempo em que a doença agiu sem ser tratada.
Por que não dá para adiar
Periodontite não estabiliza sozinha. Cada mês sem tratamento é osso a menos — e o osso perdido hoje é o mesmo que faria falta amanhã para instalar um implante, o que pode transformar um caso simples em um caso que exige enxerto ósseo.
É a principal causa de perda de dentes em adultos no Brasil, e quase sempre chega ao consultório tarde, porque não dói.
Tratamento de periodontite em Atibaia
Se a sua gengiva sangra ao escovar, retraiu, se há mau hálito que não passa ou a sensação de que algum dente está mais solto, o exame que responde isso é a sondagem periodontal completa — e ela é rápida.
Na MDL Odontologia Estética, no Jardim Paulista, em Atibaia, a Dra. Manuela Longo (CRO/SP 179159) faz o mapeamento periodontal dente a dente, mostra as medidas na sua própria ficha e define o plano de tratamento de gengiva por estágio, com o intervalo de manutenção adequado ao seu perfil de risco. Conforme a Resolução CFO-118/2012, o plano e o investimento são apresentados na avaliação clínica presencial.
WhatsApp (11) 93746-0102. Segunda a sexta das 9h às 18h, sábado das 9h às 12h. Atendemos pacientes de Atibaia e de toda a região.