Prevenção

Retração gengival: por que a gengiva descola do dente e o que dá para fazer

9 min de leitura

A sensação de gengiva descolando do dente quase sempre é retração gengival, com exposição de raiz. Entenda as causas, quando o enxerto gengival recobre a raiz, quando não recobre e o que fazer para a retração parar de avançar.

Gengiva descolando do dente: o que está acontecendo

Na maior parte das vezes é retração gengival: a margem da gengiva migrou em direção à raiz e deixou exposta uma parte do dente que deveria estar coberta. O dente parece mais longo, aparece um degrau amarelado junto à gengiva e o frio passa a doer naquele ponto.

Existe, porém, um segundo quadro que o paciente descreve com as mesmas palavras e que é mais sério: a gengiva continua na mesma altura, mas descolou por dentro, formando uma bolsa periodontal. A diferença entre os dois não se vê no espelho. Vê-se na sondagem.

Retração gengivalBolsa periodontal
O que se vêDente mais longo, raiz expostaAltura parece normal
Onde está o problemaMargem desceuTecido descolou por dentro
SondagemSulco raso, margem baixa4 mm ou mais de profundidade
Sinal típicoSensibilidade ao frioSangramento, mau hálito, pus
Perda ósseaPode não haverSempre há

Os dois podem coexistir. Por isso o exame vale mais que a suposição.

Por que a gengiva retrai

Raramente há uma causa única. O que se encontra na prática é uma combinação.

Escovação traumática

A causa mais comum em quem cuida bem dos dentes. Escova dura, movimento horizontal de vaivém, muita pressão e creme dental abrasivo desgastam a margem ao longo dos anos.

O padrão é reconhecível: retração em dentes isolados, caninos e pré-molares do lado oposto à mão dominante, gengiva rosada e sem inflamação, e às vezes um entalhe em formato de cunha no colo do dente.

Doença periodontal

Aqui a retração é consequência da perda do osso de suporte. A gengiva não tem mais onde se apoiar e acompanha o osso que desapareceu. Vem com sangramento, mau hálito persistente e, em estágios avançados, mobilidade. É um quadro completamente diferente do anterior, e o tratamento também é: leia periodontite: o que recupera e o que não volta.

O tártaro abaixo da margem gengival é o combustível desse processo.

Biotipo gengival fino

Algumas pessoas têm naturalmente gengiva delgada e osso fino sobre a raiz, às vezes com áreas onde simplesmente não existe osso cobrindo o dente. Nesse tecido, qualquer agressão retrai com facilidade. É fator de suscetibilidade, não de culpa.

Apinhamento e dente fora do osso

Dente projetado para fora da arcada tem pouco osso na face externa. É uma das situações em que a correção ortodôntica faz parte do tratamento da gengiva, e não o contrário. Movimentação ortodôntica mal planejada, empurrando raiz contra a tábua óssea fina, também provoca retração.

Freio labial ou lingual com inserção alta

Quando o freio se insere muito próximo da margem gengival, ele traciona o tecido a cada movimento do lábio e dificulta a higiene no local. É causa frequente de retração localizada entre os incisivos inferiores.

Bruxismo e trauma oclusal

Força excessiva e repetida sobre o dente contribui para a flexão da região do colo e se soma aos outros fatores. Costuma andar junto com desgaste nas bordas e sensibilidade difusa. Vale entender o quadro em bruxismo: como identificar e tratar.

Outros fatores

  • Piercing labial ou lingual, por atrito mecânico constante
  • Tabagismo, que reduz a vascularização e mascara o sangramento
  • Restaurações com margem invadindo o espaço biológico
  • Higiene insuficiente na margem, mantendo inflamação crônica

Raiz exposta: por que dói e por que é mais frágil

A coroa do dente é protegida por esmalte. A raiz, não: ela é revestida por cemento, uma camada fina, e logo abaixo está a dentina, atravessada por túbulos que levam estímulo direto à polpa. Daí a dor aguda com gelado em um ponto específico.

Além da sensibilidade, há duas consequências práticas:

  • A raiz desgasta muito mais rápido que o esmalte sob a mesma escovação
  • Cárie de raiz evolui depressa e costuma exigir intervenção maior do que uma cárie de coroa do mesmo tamanho

Ou seja: retração não é só questão estética.

O que dá para recobrir e o que não dá

Esta é a pergunta honesta, e a resposta depende do osso entre os dentes, não da gengiva visível.

SituaçãoOsso entre os dentesRecobrimento esperado
Recessão tipo 1PreservadoRecobrimento completo é objetivo realista
Recessão tipo 2Perda parcialRecobrimento parcial
Recessão tipo 3Perda acentuadaRecobrimento não previsível

Nenhuma técnica recria osso interproximal perdido. E papila perdida entre dois dentes é a estrutura mais difícil de recuperar em toda a periodontia: quando o triângulo escuro se forma por perda óssea, a solução costuma ser de camuflagem, com ajuste de forma dos dentes, e não de regeneração.

Enxerto gengival: quando faz sentido

O enxerto é indicado em duas situações distintas:

Finalidade de recobrimento. Quando a raiz exposta incomoda esteticamente ou está causando sensibilidade e desgaste progressivo, com causa já controlada.

Finalidade de reforço. Quando a faixa de gengiva aderida ficou tão fina que não resiste mais à escovação ou ao movimento do lábio. Aqui o objetivo não é estético: é impedir que a retração continue.

As técnicas mais usadas são o enxerto de tecido conjuntivo subepitelial, retirado do palato e posicionado sob a gengiva da região, muitas vezes por tunelização, e o enxerto gengival livre, que dá mais espessura mas com cor menos integrada.

Duas condições valem mais que a técnica escolhida:

1. A causa precisa estar resolvida antes. Enxertar sobre escovação traumática não corrigida, periodontite ativa ou bruxismo sem controle é adiar a mesma perda.

2. Não fumar. O tabagismo é o fator que mais compromete a previsibilidade do enxerto.

O que não recupera

  • Osso interproximal já reabsorvido
  • Papila perdida entre os dentes
  • Altura de gengiva em recessões com perda óssea acentuada
  • Estrutura dental já desgastada no colo, que precisa ser restaurada, não regenerada

Ser claro sobre isso é o que permite planejar bem: em muitos casos o objetivo correto é estabilizar e proteger, não recobrir.

Como frear a retração hoje

  • Escova macia ou extramacia. Não existe indicação de cerda dura para quem já tem retração
  • Pressão leve e movimento circular, não de vaivém horizontal. Segurar a escova com dois ou três dedos ajuda a não forçar
  • Comece pela região que costuma ficar para o fim. Ela recebe menos atenção e mais pressa
  • Fio dental e escova interdental, sem serrar contra a gengiva
  • Controle dos ácidos na dieta: eles desgastam a raiz exposta rápido
  • Placa para bruxismo, se houver apertamento
  • Limpeza profissional no intervalo definido no exame, com acompanhamento de gengiva
  • Fotos de controle. A retração avança em milímetros por ano, e só a comparação mostra se parou

Avaliação de retração gengival em Atibaia

Se o dente parece mais longo do que era, se apareceu um degrau amarelado junto à gengiva ou se o frio dói em um ponto específico, o exame que responde é a sondagem periodontal completa, com registro de retração dente a dente.

Na MDL Odontologia Estética, no Jardim Paulista, em Atibaia, a Dra. Manuela Longo (CRO/SP 179159) identifica a causa da retração, separa o que é escovação traumática do que é perda óssea, mostra as medidas na sua própria ficha e define o plano de tratamento de gengiva, incluindo a indicação ou não de enxerto. Conforme a Resolução CFO-118/2012, o plano e o investimento são apresentados na avaliação clínica presencial.

WhatsApp (11) 93746-0102. Segunda a sexta das 9h às 18h, sábado das 9h às 12h. Atendemos pacientes de Atibaia e de toda a região.

Perguntas frequentes

Gengiva descolando do dente é grave?

Depende do que está acontecendo por baixo. Se a margem da gengiva desceu e a raiz ficou exposta, é retração gengival, e o osso pode estar preservado ou não. Se a gengiva parece solta mas a altura continua a mesma, pode ser bolsa periodontal, ou seja, descolamento com perda óssea, e esse quadro é mais sério porque progride de forma silenciosa. Os dois se parecem para quem olha no espelho e se separam com uma sondagem periodontal, exame rápido e feito na própria consulta. Retração acompanhada de sangramento e mau hálito merece avaliação sem adiamento.

A retração gengival volta ao normal sozinha?

Não. Tecido gengival que migrou para a raiz não sobe espontaneamente, nem com gel, enxaguante, massagem ou creme dental específico. Esses produtos ajudam a controlar sensibilidade e inflamação, o que é útil, mas nenhum deles recria altura de gengiva. O que se pode fazer sem cirurgia é interromper a progressão, corrigindo a causa: técnica de escovação, controle da placa, tratamento periodontal, placa para bruxismo ou ajuste ortodôntico. Recobrir a raiz exige enxerto, e nem toda retração tem indicação para isso.

Quando é indicado o enxerto gengival?

Quando a causa da retração já está controlada e o osso entre os dentes está preservado. Nessa situação, classificada como recessão tipo 1, o recobrimento completo da raiz é um objetivo realista. Quando já houve perda do osso interproximal, o recobrimento é apenas parcial, e quando a perda é acentuada, não há recobrimento previsível. Também há indicação de enxerto sem finalidade estética, quando a faixa de gengiva aderida ficou muito fina e o objetivo é reforçar o tecido para impedir que a retração continue avançando.

Escovar com força causa retração gengival?

Causa, e é uma das origens mais frequentes em quem tem boa higiene. O padrão é característico: retração em dentes isolados, geralmente caninos e pré-molares, do lado oposto à mão dominante, com gengiva sem sinal de inflamação e muitas vezes com um desgaste em cunha no colo do dente. O problema raramente é só a força: entram também a escova de cerdas duras, o movimento horizontal de vaivém e o creme dental muito abrasivo. Trocar para escova macia com movimento circular e pressão leve interrompe a progressão na maioria dos casos.

Retração gengival causa perda do dente?

Retração isolada por escovação traumática, com osso preservado, não costuma levar à perda do dente. O risco real vem quando a retração é manifestação de periodontite: aí existe perda óssea associada, e é ela que pode levar à mobilidade e à perda. Há ainda um risco secundário que merece atenção: a raiz exposta não tem esmalte, é bem mais vulnerável à cárie e desgasta mais rápido. Cárie de raiz próxima à gengiva evolui rápido e pode comprometer o dente por um caminho diferente.

O que fazer com a sensibilidade da raiz exposta?

A raiz é revestida por cemento e dentina, tecidos com túbulos que conduzem estímulo direto à polpa, por isso o frio dói tanto. O manejo combina creme dental dessensibilizante usado de forma contínua, aplicação de verniz fluoretado ou agente selante no consultório e, principalmente, a remoção da causa do desgaste. Também ajuda evitar ácidos frequentes, que reabrem os túbulos. Se a sensibilidade for intensa, localizada e persistente, vale investigar se há lesão cervical ou cárie de raiz envolvida, e não apenas exposição.

Dra. Manuela Longo
Cirurgiã-Dentista · CRO/SP 179159 · MDL Odontologia Estética em Atibaia

Agende uma avaliação com hora marcada

A Dra. Manuela Longo (CRO/SP 179159) avalia o seu caso individualmente e indica o tratamento mais adequado para você.

Agendar no WhatsApp
Agendar no WhatsApp