A sensação de gengiva descolando do dente quase sempre é retração gengival, com exposição de raiz. Entenda as causas, quando o enxerto gengival recobre a raiz, quando não recobre e o que fazer para a retração parar de avançar.
Gengiva descolando do dente: o que está acontecendo
Na maior parte das vezes é retração gengival: a margem da gengiva migrou em direção à raiz e deixou exposta uma parte do dente que deveria estar coberta. O dente parece mais longo, aparece um degrau amarelado junto à gengiva e o frio passa a doer naquele ponto.
Existe, porém, um segundo quadro que o paciente descreve com as mesmas palavras e que é mais sério: a gengiva continua na mesma altura, mas descolou por dentro, formando uma bolsa periodontal. A diferença entre os dois não se vê no espelho. Vê-se na sondagem.
| Retração gengival | Bolsa periodontal | |
|---|---|---|
| O que se vê | Dente mais longo, raiz exposta | Altura parece normal |
| Onde está o problema | Margem desceu | Tecido descolou por dentro |
| Sondagem | Sulco raso, margem baixa | 4 mm ou mais de profundidade |
| Sinal típico | Sensibilidade ao frio | Sangramento, mau hálito, pus |
| Perda óssea | Pode não haver | Sempre há |
Os dois podem coexistir. Por isso o exame vale mais que a suposição.
Por que a gengiva retrai
Raramente há uma causa única. O que se encontra na prática é uma combinação.
Escovação traumática
A causa mais comum em quem cuida bem dos dentes. Escova dura, movimento horizontal de vaivém, muita pressão e creme dental abrasivo desgastam a margem ao longo dos anos.
O padrão é reconhecível: retração em dentes isolados, caninos e pré-molares do lado oposto à mão dominante, gengiva rosada e sem inflamação, e às vezes um entalhe em formato de cunha no colo do dente.
Doença periodontal
Aqui a retração é consequência da perda do osso de suporte. A gengiva não tem mais onde se apoiar e acompanha o osso que desapareceu. Vem com sangramento, mau hálito persistente e, em estágios avançados, mobilidade. É um quadro completamente diferente do anterior, e o tratamento também é: leia periodontite: o que recupera e o que não volta.
O tártaro abaixo da margem gengival é o combustível desse processo.
Biotipo gengival fino
Algumas pessoas têm naturalmente gengiva delgada e osso fino sobre a raiz, às vezes com áreas onde simplesmente não existe osso cobrindo o dente. Nesse tecido, qualquer agressão retrai com facilidade. É fator de suscetibilidade, não de culpa.
Apinhamento e dente fora do osso
Dente projetado para fora da arcada tem pouco osso na face externa. É uma das situações em que a correção ortodôntica faz parte do tratamento da gengiva, e não o contrário. Movimentação ortodôntica mal planejada, empurrando raiz contra a tábua óssea fina, também provoca retração.
Freio labial ou lingual com inserção alta
Quando o freio se insere muito próximo da margem gengival, ele traciona o tecido a cada movimento do lábio e dificulta a higiene no local. É causa frequente de retração localizada entre os incisivos inferiores.
Bruxismo e trauma oclusal
Força excessiva e repetida sobre o dente contribui para a flexão da região do colo e se soma aos outros fatores. Costuma andar junto com desgaste nas bordas e sensibilidade difusa. Vale entender o quadro em bruxismo: como identificar e tratar.
Outros fatores
- Piercing labial ou lingual, por atrito mecânico constante
- Tabagismo, que reduz a vascularização e mascara o sangramento
- Restaurações com margem invadindo o espaço biológico
- Higiene insuficiente na margem, mantendo inflamação crônica
Raiz exposta: por que dói e por que é mais frágil
A coroa do dente é protegida por esmalte. A raiz, não: ela é revestida por cemento, uma camada fina, e logo abaixo está a dentina, atravessada por túbulos que levam estímulo direto à polpa. Daí a dor aguda com gelado em um ponto específico.
Além da sensibilidade, há duas consequências práticas:
- A raiz desgasta muito mais rápido que o esmalte sob a mesma escovação
- Cárie de raiz evolui depressa e costuma exigir intervenção maior do que uma cárie de coroa do mesmo tamanho
Ou seja: retração não é só questão estética.
O que dá para recobrir e o que não dá
Esta é a pergunta honesta, e a resposta depende do osso entre os dentes, não da gengiva visível.
| Situação | Osso entre os dentes | Recobrimento esperado |
|---|---|---|
| Recessão tipo 1 | Preservado | Recobrimento completo é objetivo realista |
| Recessão tipo 2 | Perda parcial | Recobrimento parcial |
| Recessão tipo 3 | Perda acentuada | Recobrimento não previsível |
Nenhuma técnica recria osso interproximal perdido. E papila perdida entre dois dentes é a estrutura mais difícil de recuperar em toda a periodontia: quando o triângulo escuro se forma por perda óssea, a solução costuma ser de camuflagem, com ajuste de forma dos dentes, e não de regeneração.
Enxerto gengival: quando faz sentido
O enxerto é indicado em duas situações distintas:
Finalidade de recobrimento. Quando a raiz exposta incomoda esteticamente ou está causando sensibilidade e desgaste progressivo, com causa já controlada.
Finalidade de reforço. Quando a faixa de gengiva aderida ficou tão fina que não resiste mais à escovação ou ao movimento do lábio. Aqui o objetivo não é estético: é impedir que a retração continue.
As técnicas mais usadas são o enxerto de tecido conjuntivo subepitelial, retirado do palato e posicionado sob a gengiva da região, muitas vezes por tunelização, e o enxerto gengival livre, que dá mais espessura mas com cor menos integrada.
Duas condições valem mais que a técnica escolhida:
1. A causa precisa estar resolvida antes. Enxertar sobre escovação traumática não corrigida, periodontite ativa ou bruxismo sem controle é adiar a mesma perda.
2. Não fumar. O tabagismo é o fator que mais compromete a previsibilidade do enxerto.
O que não recupera
- Osso interproximal já reabsorvido
- Papila perdida entre os dentes
- Altura de gengiva em recessões com perda óssea acentuada
- Estrutura dental já desgastada no colo, que precisa ser restaurada, não regenerada
Ser claro sobre isso é o que permite planejar bem: em muitos casos o objetivo correto é estabilizar e proteger, não recobrir.
Como frear a retração hoje
- Escova macia ou extramacia. Não existe indicação de cerda dura para quem já tem retração
- Pressão leve e movimento circular, não de vaivém horizontal. Segurar a escova com dois ou três dedos ajuda a não forçar
- Comece pela região que costuma ficar para o fim. Ela recebe menos atenção e mais pressa
- Fio dental e escova interdental, sem serrar contra a gengiva
- Controle dos ácidos na dieta: eles desgastam a raiz exposta rápido
- Placa para bruxismo, se houver apertamento
- Limpeza profissional no intervalo definido no exame, com acompanhamento de gengiva
- Fotos de controle. A retração avança em milímetros por ano, e só a comparação mostra se parou
Avaliação de retração gengival em Atibaia
Se o dente parece mais longo do que era, se apareceu um degrau amarelado junto à gengiva ou se o frio dói em um ponto específico, o exame que responde é a sondagem periodontal completa, com registro de retração dente a dente.
Na MDL Odontologia Estética, no Jardim Paulista, em Atibaia, a Dra. Manuela Longo (CRO/SP 179159) identifica a causa da retração, separa o que é escovação traumática do que é perda óssea, mostra as medidas na sua própria ficha e define o plano de tratamento de gengiva, incluindo a indicação ou não de enxerto. Conforme a Resolução CFO-118/2012, o plano e o investimento são apresentados na avaliação clínica presencial.
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